domingo, 14 de julho de 2013

A humanidade tem vindo a acumular e a utilizar conhecimentos sobre plantas medicinais desde há, pelo menos, 60.000 anos.
OS ANTIGOS.
Embora fosse um centro de avançados conhecimentos médicos o antigo Egipto extraiu conhecimentos adicionais do Médio Oriente, importando inúmeras especiarias secas, plantas medicinais e óleos aromáticos da Mesopotâmia.
Imhotep, físico do faraó Zoser (c. 2600 a. C.), foi dos primeiros curandeiros de que há registo Granjeou elevada reputação, alcançando assim importante lugar na mitologia egípcia.
Na antiga Grécia, os conhecimentos médicos foram, por seu turno, erguidos sobre a herança do Médio Oriente e do Egipto. Em torno dos seus mais importantes físicos, foram-se desenvolvendo várias escolas de medicina, que se tornaram famosas. A Asclépia, o mais antigo físico grego de que existem marcas foram atribuídas milagres curativos. O bastão de Asclépia, que consistia numa serpente enrolada à volta de uma vara, permanece como símbolo da medicina até aos dias de hoje Hipócrates de Kos (460 a. C.), talvez o maior de todos os físicos gregos, merece ser recordado tanto pelos seus sábios conselhos de vida como pela sua notável intuição curativa.
Hipócrates desenvolveu uma abordagem sistemática do diagnóstico e adoptou um procedimento racional do tratamento, baseados num profundo conhecimento quer das plantas quer da psicologia humana.
Enquanto Hipócrates não escreveu, que se saiba, qualquer tratado sobre plantas medicinais, Teofrasto de Eressos (c. 379 a. C), discípulo de Aristóteles, escreveu dois excelentes sobre plantas medicinais que resumem o estado dos conhecimentos gregos de medicina natural ao tempo. Os tratados gregos sobre plantas incluem também os escritos de botânica de Aristóteles, História Plantarum e De Causis Plantarum.
A ESCOLA DE ALEXANDRIA.
A mais influente de todas as escolas médicas foi a de Alexandria, fundada nesta cidade da costa mediterrânica do Egipto, grande cultural onde se miscigenaram as influências orientais e gregas. A hibridação das profundas tradições médicas trouxe grandes avanços à medicina natural.
Os conhecimentos detidos pela Escola de Alexandria estão bem representados no influente tratado de plantas medicinais De Matéria Médica, escrito por Dioscórides, físico grego do século l.
Analisa cerca de 600plantasmedicinais, descritas com precisão, e tornou-se um dos alicerces da medicina durante aproximadamente 1400 anos, enquanto, primeiro, o grande Império Romano se ia contraindo e, depois, se dava uma certa estagnação da evolução dos conhecimentos na Europa.
OS JARDINS DOS MOSTEIROS.
Durante o período medieval, muito do saber da Europa foi detido pelos mosteiros de frades e freiras, que se tornaram centros de medicina não só para os religiosos, como também para as populações adjacentes, para os viajantes e para os peregrinos.
«AS GRÁVIDAS QUE COMEM MARMELOS DARÃO À LUZ CRIANÇAS SÁBIAS».
Os jardins das ordens religiosas eram habitualmente construídos segundo o plano de uma cruz, criado por caminhos que se intersectavam. Dentro deste esquema, eram elaborados diversos jardins especializados, nomeadamente de claustros de plantas curativas, uma horta, em que cada canteiro era dedicado a determinado vegetal ou planta específica, um jardim de flores para fornecimento da igreja e um pomar, onde frequentemente os membros das ordens religiosas eram enterrados.
Um destes esquemas-modelos, datado do ano 820 e destinado ao mosteiro de Saint Gall, na Suíça, sobreviveu até aos nossos dias e revela-nos a disposição desse tipo de jardins e até os seus géneros de plantas, de acordo com a lista decretada pelo rei Carolíngio, Carlos Magno.
OS GRANDES TRATADOS DE MEDICINA NATURAL.
O Tratado de Glastonbury sobre plantas medicinais publicado em Inglaterra no século X, revelava extenso conhecimento de plantas medicinais, enquanto o de Leechdom, escrito no mesmo século, é uma compilação dos saberes de medicina e veterinárias naturais do seu tempo («leechdom» era uma palavra que designava uma fórmula medicinal ou um remédio, e os físicos eram por vezes conhecidos neste país por «leeches»). Um vasto tratado foi também criado pela principal escola de medicina da Europa neste período, a Welsh Physicians of Myddfai (Médicos Galeses de Myddfai).
A invasão normanda de Inglaterra trouxe o refinamento aos jardins dos castelos e dos solares. Carregados de ervas aromáticas e de flores incluíam plantas como a lendária Rosa gálica ‘Officinalis’, que haviam chegado à Europa através das Cruzadas.
Em 1563, o grande Garcia de Orta publicou os seus célebres Colóquios dos Simples e Drogas e Coisas Medicinais da Índia, onde, entre outras coisas, descreve pela primeira vez a sintomatologia de alguma doenças exóticas e métodos terapêuticos até então desconhecidos na Europa. Noutros países europeus surgem também, a partir do séculoXVI, importantes tratados sobre o tema. O New Herbal, de William Turner, incluía nada menos que 238 plantas britânicas. Porém, se atendemos ao aspecto e ao conteúdo, outros dois permanecem sem rival – o de John Gerard, médico, boticário e jardineiro conhecedor, que publicou o seu tratado pela primeira vez em 1597, baseando-o na obra do físico flamengo Dodoens, e o de John Parkinson, boticário e botânico, que é recordado pelo Paradisi in Sole Paradisus Terrestris pelo Theatrum Botanicum.
MEDICINA NATURAL MODERNA.
Associada ao fascínio pelas ervas culinárias e aromáticas, a moderna prática da medicina natural levou ao ressurgimento do uso e da cultura de plantas por todo o mundo. Ao mesmo tempo, a interacção complexa entre corpo, mente e espírito voltou a ser reconhecida no campo da medicina holística.

Assim, nasceu uma nova era de medicina alternativa ou complementar e, com ela, o reconhecimento de que a medicina natural merece respeito por direito próprio.  

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